18 fevereiro 2014

Me redescobrindo na arte

Sempre senti rancor por não ser uma pessoa com talentos artísticos. Embora no final da minha adolescência tenha tentado, eu sempre me senti um fracasso em tudo o que fazia. Me pego pensando constantemente sobre a ideia de que algumas pessoas nascem com um dom, enquanto outras, não, não importando o que façam para mudar isso. Algumas são naturais.

Mas de alguma forma eu sempre estive conectada, ligada de alguma forma ao meio artístico, embora sempre como mera observadora e coadjuvante. Quando era criança, minhas aulas de piano eram dadas na mesma sala das aulas de pintura, em diferente horário e onde eu permanecia praticando sozinha. Olhando para trás, me pego pensando por que eu, que já sabia gostar das telas mais do que das teclas, não pedi para me deixarem fazer o que queria: ter aulas de arte. Passividade sempre foi um problema em mim.

E já mais velha, aproveitei a solidão para me dedicar a aprender a criar imagens, mundos, visões. Mas eu sempre fui medíocre. E acabei, com o tempo, percebendo que não é de todo mal apenas conhecer arte, apreciar arte e seus representantes, vivos ou mortos. Pude conhecer virtualmente inúmeros artistas, conheço seus traços, suas paletas de cores, suas inspirações. Mas podia eu ser como eles?

Ao descobrir a caligrafia, fui de encontro à uma frase batida, mas que faz todo o sentido, agora: "todo artista foi primeiro um amador". Talvez meu envolvimento com a arte, desde pequena, fosse alguma forma de aviso pra mim, algo que nunca soube interpretar nestes anos todos, até agora. De fato, talvez eu não seja natural, talvez não haja em mim uma habilidade intrínseca como em tantas outras pessoas ao redor do mundo. Mas não há nada, exceto minha própria cabeça, que me impeça de estudar e praticar, o que quer que seja. Já que não nasci predestinada a nada, tenho um universo de possibilidades na minha frente, e pretendo explorar cada uma delas, sem cobrança, sem pressão.


10 comentários:

  1. Oi Anna.
    Nasci em uma família em que (todos começando pelo meu avô), já vieram com tendências para desenho e pintura. No meu caso foi o desenho...porém, eu nunca desenvolvi direito o dom e parei de desenhar tem um bom tempo. Digamos que no meu caso, a imaginação "passou". Sinto muita falta disso mas entendo o que você disse quanto ao lance de não forçar, de fazer disso natural...mas também acho que nada impede de continuar tentando.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu sempre dizia que não tinha imaginação quando fazia artes digitais. Mas tudo a nossa volta é referência. E agora que estou aprendendo e praticando, não tenho vergonha nenhuma de me inspirar ou até mesmo "copiar" alguma ideia apenas para desenvolver as técnicas.
      Continua desenhando, flor.
      <3

      Excluir
  2. Eu também sempre tive esse pensamento de que algumas pessoas tem o dom para algumas formas de arte, no entanto com o tempo passei a perceber que dom é apenas o esforço e a luta diária das pessoas para se tornarem aquilo que são. E nossa eu adorei o desenho :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exatamente, Kely. Eu demorei tanto pra entender isso, perdi tanto tempo! :(
      Mas estamos aí. Obrigada pelo elogio!

      Excluir
  3. Devo concordar com o fato de que a prática leva a perfeição, sim, clichê... Mas é um dos maiores fatos que conheço rsrs. Conheço muitos artistas que podemos dizer que nasceram com o dom, mas também conheço artistas espetaculares que mal sabiam fazer desenhos de palitos, por exemplo, e hoje em dia fazem realismos fantásticos.
    Bom, quando vi sua postagem sobre caligrafia, imaginei seu perfil determinado rsrs e pela postagem e pelo desenho, devo dizer que tu está de parabéns :))

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Washington, teu comentário é muito importante pra mim. Obrigada!

      Excluir
  4. "Já que não nasci predestinada a nada, tenho um universo de possibilidades na minha frente, e pretendo explorar cada uma delas, sem cobrança, sem pressão."
    Tenho que tomar isso pra mim como um conselho. Todo mundo vive dizendo que "ah, como você desenha bem", mas eu não acho isso, sério. Eu tenho uma forte tendência a me rebaixar por qualquer coisa. Não que eu esteja desistindo, claro, de vez em quando eu rabisco...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Somos nossos maiores críticos, Ítalo. Não desista.

      Excluir
  5. Anna, que linda a sua arte, sempre fui sua fã, você se exige demais. Sua arte digital era fantástica, não sei porque parou, você escreve maravilhosamente bem, fotografa maravilhosamente bem, e agora começou tão bem!! Ah seu eu fosse tão dedicada e persistente como você!!!!! Continue nessa trilha que você vai longe viu!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ra, eu sou tudo menos persistente! Eu desisto de tudo, a arte digital desisti porque não conseguia melhorar a técnica então acabei largando de vez - mas pelo menos o que aprendi até hoje me proporcionou consertar essa arte que postei, que possuía alguns erros.
      Obrigada pelo comentário! <3

      Excluir

Infelizmente o sistema de comentários do Blogger não é dos melhores, no entanto, eu sempre respondo, e vou adorar saber sua opinião sobre o assunto do post. Para ver minha resposta clique em "notifique-me".

Obrigada!